| O POETA E A LUA
O poeta vai pela rua Seus olhos verdes de éter Abrem cavernas na lua. A lua volta de flanco Eriçada de luxúria O poeta, aloucado e branco Palpa as nádegas da lua. Entre as esfera nitentes Tremeluzem pelos fulvos O poeta, de olhar dormente Entreabre o pente da lua. Em frouxos de luz e água Palpita a ferida crua O poeta todo se lava De palidez e doçura. Ardente e desesperada A lua vira em decúbito A vinda lenta do espasmo Aguça as pontas da lua. O poeta afaga-lhe os braços E o ventre que se menstrua A lua se curva em arco Num delírio de luxúria. O gozo aumenta de súbito Em frêmitos que perduram A lua vira o outro quarto E fica de frente, nua. O orgasmo desce do espaço Desfeito em estrelas e nuvensNos ventos do mar perpassa Um salso cheiro de lua E a lua, no êxtase, cresce Se dilata e alteia e estua O poeta se deixa em prece Ante a beleza da lua. Depois a lua adormece E míngua e se apazigua... O poeta desaparece Envolto em cantos e plumas Enquanto a noite enlouquece No seu claustro de ciúmes.
(Vinícius de Morais, Antologia
Poética)
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Criar com a natureza, transformar reciclando, cozinhar com sabor, produzir testando! "Aponta bem alto para a lua senão lhe acertares, estica bem o braço e agarra uma estrela"
terça-feira, 28 de fevereiro de 2012
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