terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

O POETA E A LUA

Em meio a um cristal de ecos
O poeta vai pela rua
Seus olhos verdes de éter
Abrem cavernas na lua.
A lua volta de flanco
Eriçada de luxúria
O poeta, aloucado e branco
Palpa as nádegas da lua.
Entre as esfera nitentes
Tremeluzem pelos fulvos
O poeta, de olhar dormente
Entreabre o pente da lua.
Em frouxos de luz e água
Palpita a ferida crua
O poeta todo se lava
De palidez e doçura.
Ardente e desesperada
A lua vira em decúbito
A vinda lenta do espasmo
Aguça as pontas da lua.
O poeta afaga-lhe os braços
E o ventre que se menstrua
A lua se curva em arco
Num delírio de luxúria.
O gozo aumenta de súbito
Em frêmitos que perduram
A lua vira o outro quarto
E fica de frente, nua.
O orgasmo desce do espaço
Desfeito em estrelas e nuvens
Nos ventos do mar perpassa
Um salso cheiro de lua
E a lua, no êxtase, cresce
Se dilata e alteia e estua
O poeta se deixa em prece
Ante a beleza da lua.
Depois a lua adormece
E míngua e se apazigua...
O poeta desaparece
Envolto em cantos e plumas
Enquanto a noite enlouquece
No seu claustro de ciúmes.
(Vinícius de Morais, Antologia Poética)
Surgiu uma ideia...






O que irá sair?!?!








 
...E surgiu um bonito quadro com uma árvore genealógica:)


Câmara Municipal de Almada - Parque da Paz - História e Construção

Câmara Municipal de Almada - Parque da Paz - História e Construção


Há coisas que me encantam....

    Um dos espaços mais bonitos da cidade de Almada.

Arte

Hoje encontrei "Arte" na natureza...

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Leituras

 A minha mala é todo um mundo de objectos importantes e necessários. Entre eles viaja agora este livro encantador que me acompanha nas viagens:)



 "Si la vida tuvo un guionista, éste debió disponer que los encuentros se dieran sin cambios perceptibles, para que así como dice el poeta Juan Gelman, los años envejez-can conmigo, y no llenos de dudas que la razón se niega a aceptar de buenas a primeras y culpa a los inocentes ojos de la verdad que tiene enfrente."

Maria Rita - Menina da Lua

A que sabe a lua?

"... de uma dentada só, arrancou um pequeno pedaço da lua.
Saboreou-o, satisfeito, e depois foi dando migalhas do pedacinho ao macaco, ao raposo, ao leão, à zebra, à girafa, ao elefante e à tartaruga.
E a lua soube-lhes exactamente àquilo que cada um deles mais gostava."


Adoro esta história já a contei muitas vezes aos meus pupilos para a enriquecer fiz os personagens da história em papel maché e pintei o cenário num placard grande, ficou lindo...

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

O Guardador de Rebanhos I

Josh Ritter - Love Is Making Its Way Back Home - video by Prominent Figures

Pinturas...

Tintas, jornais, tela, pincel,...


                                                 E da experiência nasce um quadro:)

Tão mimosas!





Com a dor de cabeça que estou estas minhas carteirinhas fazem-me lembrar bolsas de água quente para as enxaquecas, mas não servem para guardar de um tudo de pequenas coisinhas!
"O chocolate é um alimento feito com base na amêndoa fermentada e torrada do cacau. Sua origem remonta às civilizações pré-colombianas da América Central. A partir dos Descobrimentos, foi levado para a Europa, onde popularizou-se, especialmente a partir dos séculos XVII e XVIII. Contudo, em função das necessidades climáticas para o cultivo do cacau, não é possível o seu plantio na Europa e por isso as colônias americanas de clima tropical húmido continuaram a fornecer a matéria-prima. Atualmente os maiores produtores estão na África Ocidental.
O chocolate tal como é consumido hoje é resultado de sucessivos aprimoramentos realizados desde o início da colonização da América. O produto era consumido pelos nativos na forma duma bebida quente e amarga, de uso exclusivo da nobreza. Os europeus passaram a adoçar e a misturar especiarias para adequá-lo ao seu gosto. Com o desenvolvimento dos processos industriais e técnicas culinárias, surgiu o chocolate com leite e depois na forma de um sólido. Atualmente, é encontrado em diferentes formas que vão desde o sólido, como o chocolate em pó, as barras, os ovos e os bombons, e líquido, como achocolatado ou chocolate quente. Além de ser consumido puro, é também ingrediente de um grande número de alimentos como bolos (tortas, biscoitos, etc.), mousses, sorvetes e outros doces."
                                                                                                                                        (in wikipédia)

Todas as formas de chocolate são boas, tentadoras e eu deixo aqui mais uma enebriante produzida por mim:)

I Don't Know Enough About You - Peggy Lee

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Vamos brincar ao Carnaval?

Esta foto já é antiga mas adorei brincar ao carnaval com os meus "africaninhos" foi muito divertido!



Hoje até ia um pezinho de samba:)




http://www.youtube.com/watch?v=zRc9fLDK3cY&feature=fvsr
  Arte rupestre, pintura rupestre ou ainda gravura rupestre, são termos dados às mais antigas representações artísticas conhecidas, as mais antigas datadas de 40.000 a.C. no período paleolítico. Gravadas nas paredes e tectos rochosos de abrigos ou cavernas, ou também em superfícies rochosas ao ar livre, mas em lugares protegidos.
 Representam verdadeiros testemunhos da vida do Homem em tempos remotos e de culturas extintas.

 Porque não relembrar estes testemunhos com estes quadros coloridos, expondo nas suas paredes estes traços simples mas encantadores?

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Reciclar pneus e transformá-los em lindos puff´s é divertido e ecológico!
Tintas, tecidos, madeiras podem ser usados para criar confortáveis puff´s, quer experimentar?


sábado, 18 de fevereiro de 2012

LICORES



Preparar, macerar, filtrar, estagiar...São palavras chave na confecção de licores. Ao fazer licores caseiros eu acrescento carinho, delicadeza, gosto, sabor...
Se gosta de licores porque não provar estes saborosos licores caseiros:)

sábado, 11 de fevereiro de 2012

A LENDA DAS LARANJEIRAS

por Marizé


         
Conta a tradição que outrora existiram por todo o Algarve muitas mouras encantadas,  
por ser o “encantamento”,  a única forma de as poder libertar da maldade e crueldades 
humanas. Desde os tempos mais remotos a moirama habitava a Península, deixando uma 
presença, nas crenças, superstições e costumes que ainda hoje é visível a olhos 
vistos. Perto do Cerro da Cabeça, existia um palácio subterrâneo, cuja maravilha é 
impossível descrever. Quando um dia um pastor, corria atrás duma ovelha que se 
afastara do rebanho, veio esta cair por um orifício, através do qual, ele desceu na 
ânsia de procurar a ovelhinha. Enorme espanto o seu, ao ver que junto dela, estavam 
três formosas princesas mouras que a acariciavam com ternura. Facilmente pode 
verificar que se tratava dum palácio, maravilhoso, cheio de lagos de água, onde as 
princesas se banhavam mostrando a nudez dos seus corpos... Ali era um mundo secreto 
onde ninguém podia entrar...
As princesas ao verem o pastor, ficaram atónitas perante a sua presença...
O pastor muito atrapalhado murmurou:
- Peço desculpa, mas foi apenas um acidente! A ovelha é minha, eu sou pastor, guardo 
os rebanhos, sou humilde, não vos vim fazer mal!

Nós somos três irmãs gémeas Mara, Mariam e Marisa, filhas do Rei das Grutas. Foge 
daqui antes que sejas visto por ele! Mas deixa aqui a tua ovelhinha para nós! Podes 
vir vê-la,  apenas num dia da semana, mas tem cuidado! Vem ao escurecer do dia!
O rapaz resignou-se em oferecer a ovelha!
     
As lindas mouras eram autênticas pérolas de Chenchir! Nos jardins subterrâneos do 
Palácio das Grutas, haviam extensos laranjais que eram símbolo de pureza e 
virgindade. As mouras viviam escondidas nas grutas dos rochedos. Receavam os 
invasores, que com a sua violência sequestravam as donzelas com intuito maquiavélicos 
de as possuir pela força.
               
Como é natural o rei das grutas vivia com receio. Temendo a invasão que dominava o 
sul do território. 
Quando o pastor chegou com uma ovelha a menos, logo o maioral, quis saber o que 
acontecera..
           - Onde perdeste a ovelha, rapaz?
           - Sei lá! Nunca mais a dei apanhada! Sumiu!
Embora não dissimulando o seu mau humor, por fim disse:
       - Deixa estar que havemos de ver isso!
   
Não desistindo da sua intenção, um belo dia seguiu o rapaz e quando o viu sumir pela 
terra abaixo... exclamou:
            
- Aqui há gato! Tenho de descobrir!

O pastor visitava secretamente as raparigas, quando podia. Desse convívio ía ganhando 
forma a sua afeição especial por uma delas.  Gostava da Mara, de todas a mais 
bondosa. Certo dia,  reparou que elas iam guardando as flores secas de laranjeira, ao 
mesmo tempo que misturavam com  camomila, tília, S. Roberto, para fazerem poções, com 
doses apropriadas, verdadeiros segredos dum sono cor de rosa. Esta preparação, cujo 
segredo era da competência do velho rei, conhecedor da farmacopeia, era um chá que 
era servido pelas lindas escravas, em baixelas de ouro, no final dos banquetes ou 
orgias, quando se pretendia que o adversário rolasse pelos tapetes, como nos campos 
de batalha. Quantas vezes os mouros atraíam ao local, formulando um convite amigável, 
muito bem forjado, duma opípara refeição acompanhada do famoso elixir - poção 
maravilhosa que os fazia adormecer e que os levara a ganhar castos e castelos. Por 
outro lado, salvavam a honra ameaçada das suas donzelas.
          
Tantas vezes foi o pastor visitar as raparigas, que começou um ídilio amoroso com a 
Mara. Estava na posse de todos os segredos dos mouros.

O patrão via o ar de felicidade que o pastor aparentava, por outro lado observava que 
ele não se incomodara muito, com o desaparecimento da ovelha, quando ele amava tanto 
o seu rebanho. 
         - Não pode ser!
         
Por fim, resolveu seguir-lhe o rasto e combinou com uns amigos para que o seguissem. 
Quando ele desceu às cavernas, acompanhado dum grupo de homens, meteu-se pela 
abertura das grutas e menos ágil, veio cair, soltando um grito tão estridente que 
entoou em todo o palácio subterrâneo. Perante tal burburinho, desperta o rei mouro e 
toda a moirama surge pelos cantos, desse mundo misterioso de alvura do lindo Palácio 
das Grutas, rico de estalactites e estalagmites, verdadeiros rendilhados de estátuas 
naturais de fino recorte, um mundo colossal de alabastros e mármores.
         
- Minhas filhas, minhas filhas, a vossa honra... a flor de laranjeira não destes a 
beber o elixir... Traístes vosso pai permitindo a entrada de intrusos nestas grutas.
            
- Vou espalhar as folhas por esta região de cada um sairá uma nova árvore,  já vós 
que não cuidastes da vossa reputação, que não tivestes cabeça para pensar, ficareis 
para sempre no fundo deste monte transformadas em cavernas, em estalactites. Assim as 
laranjeiras cresceram à superfície e as mouras com saudades da neve não são mais que 
as brancas estátuas escondidas do velho cerro para todo o sempre. 
            
Mas no auge do distúrbio, perante tal confusão, o pastor conseguiu fugir com a Mara 
para o cerro de S. Miguel e mais tarde, resolveram casar para mostrar ao mundo a 
pureza da sua jovem, pois Mara merecia a flor da virgindade. Ela e seu pastor eram 
dignos e puros de sentimentos. Sem esquecer o que aprendera, ela foi a primeira noiva 
a usar como símbolo a flor da laranjeira. Toda vestida de branco com um lindo manto 
de tule, ostentava uma linda coroa de flores naturais de laranjeira. Quando ela vai 
ao cimo do cerro, atira o seu ramo de noiva pelo ar,  desde a encosta ao vale, a 
terra encheu-se de lindos laranjais e uma nuvem de perfumada a flores de laranjeira, 
evolou por toda a atmosfera. Uma enorme nuvem branca levou os noivos em viagem 
nupcial.... E quando as laranjeiras floriam , o povo cantava assim:

Linda flor de laranjeira
Nas hortas e nos pomares
Da rapariga solteira...
Que pura vai aos altares.

            E desde então a velha aldeia e seus arredores, encheram-se de famosos 
laranjais e da lenda restam ainda as famosos grutas, que ainda hoje existem, um mundo 
de maravilhas que os deuses da terra vão esquecendo.

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Licor de laranja, docinho docinho!



Doce de laranja para comer com queijinho de cabra ou como lhe apetecer!